19.3.08

Para Isabell

Do quarto do poeta só restam os versos
das paredes amareladas do tempo sem chão e sem teto
se seguram apenas pelas mãos alheias
um outro verão discreto
Amor, verbo sem verbete
talvez fato
talvez foto
talvez feto
e prenhe do sonho de quem ama
além da cama
do coma
e no amém da trama
e ainda assim teimoso por natureza
tua sombrinha cor-de-laranja guarda o tempo e o temporal de minha partida
parte da ida ainda volta
nem se solta um pedaço meu e teu que agora é inteiro em nós...
João Simas

Um comentário:

uma letra! disse...

as mãos alheias
com o tempo se tornam tuas
estão sempre abertas
e de mãos dadas vamos caminhando
mesmo com temporal temos uma sombrinha laranja para nos abrigar no tempo...